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Desapego [1]

Liberdade e cruz

São muitas as narrativas bíblicas que descrevem o desapego de Deus com tudo aquilo que é resultado da construção humana. Enquanto nós sofremos quando a camiseta velha mas cheia de história torna-se pano de chão, Deus faz questão de destruir as vestes antes que se tornem um poço de lembranças que nos prendem ao passado. Os encontros com o Deus hebreu pressupunham rasgar as vestes e cobrir-se de cinzas.

Desapego [2]

Rastros

Desde o início dos relatos bíblicos a narrativa nos mostra um Deus pronto a desfazer, desmontar, derrubar e começar de novo. Ele constrói um jardim e em seguida o abandona. Cria o mundo e o destrói no dilúvio. Vai até Abraão e o manda abandonar sua história e família em busca de algo novo. Depois retira o neto de Abraão do local onde Ele mesmo colocou seu avô e o leva ao Egito para em seguida, como que numa brincadeira sem graça, retirar o povo todo que cresceu no Egito para levá-lo de volta à terra do patriarca.

Desapego [3]

Nuvem

Então entra na história uma estranha espécie de interlúdio. Uma pausa no roteiro. Descreve-se, no enredo do Velho Testamento, logo depois da saída do Egito, uma pequena metáfora da humanidade. Um arquétipo da história toda, da estranha proposta de Deus para o ser humano.

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