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A sustentabilidade da criação - I

Este artigo está baseado, com modificações, no livro de Euler Renato Westphal.
Para entender: Bioética. São Leopoldo: Sinodal, 2006.

Há muito tempo ouvi uma pessoa cristã dizer: “Meu coração pertence a Jesus e o meu pulmão à Souza Cruz”. Com isso ela estava expressando a sua dependência do tabaco. Pensei comigo, aqui há algum problema na relação entre a salvação em Cristo e a vida na criação.

Segundo a Bíblia, a criação é de Deus e não pertence ao diabo. Por isso, os seres da criação tem dignidade. Muitas vezes entende-se que as coisas da criação são matéria e que esta não tem muito valor. Pensa-se que mais importantes são as coisas de natureza espiritual. Não importa o que acontece com o pulmão, o corpo, importante é a vida do coração com Jesus. O que importa é a vida da igreja, a salvação das pessoas por meio da missão e da evangelização. É verdade que isto é muito importante. “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”(João 3.16). É verdade que a obra de Cristo é fundamental para a vida do cristão. Entretanto, Deus não amou somente as pessoas. Ele também amou o mundo na sua totalidade. No mesmo evangelho de João é descrito que Deus amou o “Cosmo”, o universo. Deus criou o universo por amor e ele também é o mantenedor de todos os seres da criação. O mesmo Deus que nos salvou em Jesus Cristo é o Deus que preserva a criação e cuida de todos os seres que vivem na natureza. Ele nos chama a viver na criação cuidando dela e não para explorar e destruir.

A sustentabilidade da criação - II

Continuação de: A sustentabilidade da criação - I

Nos últimos anos, vimos um cenário desolador na Amazônia, que foi a pior estiagem dos últimos cinqüenta anos. O desenvolvimento predatório, bem como as políticas que excluem os povos que vivem nessas regiões, leva à destruição do maior patrimônio genético, que está em solo brasileiro. A destruição de florestas, as queimadas para transformar florestas em pastagem e a visão destruidora da maioria das madeireiras – que não tem compromisso com o desenvolvimento sustentado – fazem do Brasil um cenário de destruição. Isso se observa na região amazônica, na região do Pantanal e em seu entorno, bem como em muitos outros lugares do Brasil. Observamos a destruição da Mata Atlântica em nome do progresso.  Em virtude da prática desordenada de derrubadas de florestas e das queimadas, o Brasil é um dos maiores poluidores do mundo.

O primeiro artigo do credo apostólico “Creio em Deus Pai, todo poderoso, criador do céus e da terra” nos desafia a tomar pequenas atitudes do dia-a-dia, preocupando-se com a sustentabilidade do nosso futuro e dos nossos filhos. Deveria ser evitado o uso de produtos agrotóxicos para “limpar” o capim que cresce ao redor da casa onde moramos. Lamentavelmente é comum observar que se substitui o verde dos nossos jardins pelo pedregulho. A confissão de que Deus é o criador e o mantenedor da vida também deveria nos fazer reconsiderar o nosso senso de estética. Cortam-se árvores que dão sombra, porque fazem muita “sujeira”, por causa das suas folhas. Sujeira maior é passar veneno no capim dando um aspecto amarelado e desolador. Sem considerar o malefício às pessoas, aos animais e aos insetos. Um hábito muito comum é aplicar defensivos agrícolas próximo às margens de lagoas, rios, riachos, ribeirões e mananciais de água para, ironicamente, “limpar” essas áreas do capim verde, substituindo-o com a vegetação amarelada e depois seca. Não se percebe que com isso se está depositando metais pesados, matando microorganismos, sapos, peixes, plantas aquáticas e as plantas em volta dos mananciais. Tudo isso é fundamental para a proteção do meio ambiente e para a existência da própria água. É imperativo cuidar em separar o lixo orgânico com o reciclável, especialmente embalagens plásticas, caixas de leite, vidros, baterias e outros produtos industrializados recicláveis.

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