A viabilidade da instituição

“Todo grupo controlado por alguns não pode ser chamado de igreja. Se é IGREJA, não pode ser controlada por ninguém. O Evangelho deixa livre”. (Carlos Bregantim)

Desapego [1]

Liberdade e cruz

São muitas as narrativas bíblicas que descrevem o desapego de Deus com tudo aquilo que é resultado da construção humana. Enquanto nós sofremos quando a camiseta velha mas cheia de história torna-se pano de chão, Deus faz questão de destruir as vestes antes que se tornem um poço de lembranças que nos prendem ao passado. Os encontros com o Deus hebreu pressupunham rasgar as vestes e cobrir-se de cinzas.

Desapego [2]

Rastros

Desde o início dos relatos bíblicos a narrativa nos mostra um Deus pronto a desfazer, desmontar, derrubar e começar de novo. Ele constrói um jardim e em seguida o abandona. Cria o mundo e o destrói no dilúvio. Vai até Abraão e o manda abandonar sua história e família em busca de algo novo. Depois retira o neto de Abraão do local onde Ele mesmo colocou seu avô e o leva ao Egito para em seguida, como que numa brincadeira sem graça, retirar o povo todo que cresceu no Egito para levá-lo de volta à terra do patriarca.

Desapego [3]

Nuvem

Então entra na história uma estranha espécie de interlúdio. Uma pausa no roteiro. Descreve-se, no enredo do Velho Testamento, logo depois da saída do Egito, uma pequena metáfora da humanidade. Um arquétipo da história toda, da estranha proposta de Deus para o ser humano.

Desapego [4]

Teimosia

Mas a narrativa prossegue. A metáfora do interlúdio se encerra e voltamos à história. O povo finalmente entra na terra santa mas Deus, novamente, como um menino teimoso, insiste em não constuir nada, Nada de templo, nada de fortaleza, nada de 'castelo real', ou de rei. Rei e templo são a materialização do desejo de controle e segurança. Deus, no entanto, oferece juízes espalhados por aí, errantes, surgindo espontaneamente entre o povo.

Desapego [5]

Esterco

Quando tudo parece estar finalmente andando, quando o povo de Israel está zonzo com a espiral vertiginosa de sucesso, o birrento criador aparece para destruir o templo e o reino. E não se contenta em fazê-lo apenas uma vez. O templo e o reino de Israel são lançados à poeira 2 vezes. Antes da segunda ruína o Filho do Homem ainda dá o recado: "disso não vai restar pedra sobre pedra". E vai o templo para o chão de novo e, com ele, a esperança do reino.

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