Vida “Normal” e Vida “Devocional"

Hoje sairei da sequência do livro Caminhos de Reconciliação para falar de caminhos de reconciliação na vida dos crentes. Não da vida toda, naturalmente, vou me concentrar num aspecto: o que temos chamado de “vida devocional”. Esse jeito de falar já sinaliza uma separação. Separamos a vida “cotidiana”, “normal”, da vida “devocional”. Isso pode ser só jeito de falar, sem dúvida.

Caminhos de Reconciliação: um ano!

Olá,

Em julho do ano passado foi lançado o livro Caminhos de Reconciliação: a mensagem da Bíblia. As avaliações que nos foram enviadas, são muito boas. E você?

Céu e Terra

Deus criou um universo tendo ao mesmo tempo duas características. A primeira é uma rica diversidade, um verdadeiro festival de seres e coisas. A segunda é que, nesta fantástica diversidade, cada ser, cada coisa tem sua individualidade, o seu próprio, que o distingue de todos os outros seres e coisas. Na verdade, só verdadeira individualidade garante verdadeira diversidade, e vice-versa.

Separações: o pecado

Conteúdo e Forma (Saber e Sabor)

Nesse blog queremos conversar, de um jeito informal, sobre questões tratadas no meu livro Caminhos de Reconciliacão. Quando me perguntam se ainda vou escrever uma Teologia Sistemática, hoje eu respondo que já escrevi. Tudo que eu queria dizer, num primeiro momento, disse nesse livro. Ele carrega uma opção formal que já é, ela própria, parte do que penso que tenho a dizer. Ou seja, aqui forma já é parte do conteúdo.

Esse é o primeiro tema que quero tratar hoje: a relação entre forma e conteúdo. A distinção entre forma e conteúdo vem da filosofia, como muita coisa na teologia, mesmo que teólogos às vezes não saibam disso, ou não o admitam. Dentro de um sistema de lógica formal ou analítica, também chamada às vezes de aristotélica (ou mesmo de cartesiana), a distinção entre forma e conteúdo é um importante meio de “limpeza” ou clarificação do discurso.

Em certo sentido dá para dizer que um texto tem esses dois aspectos a que se dá o nome de “forma” e “conteúdo”. Um se refere ao jeito de escrever, outro a o que se escreve.

A sustentabilidade da criação - I

Este artigo está baseado, com modificações, no livro de Euler Renato Westphal.
Para entender: Bioética. São Leopoldo: Sinodal, 2006.

Há muito tempo ouvi uma pessoa cristã dizer: “Meu coração pertence a Jesus e o meu pulmão à Souza Cruz”. Com isso ela estava expressando a sua dependência do tabaco. Pensei comigo, aqui há algum problema na relação entre a salvação em Cristo e a vida na criação.

Segundo a Bíblia, a criação é de Deus e não pertence ao diabo. Por isso, os seres da criação tem dignidade. Muitas vezes entende-se que as coisas da criação são matéria e que esta não tem muito valor. Pensa-se que mais importantes são as coisas de natureza espiritual. Não importa o que acontece com o pulmão, o corpo, importante é a vida do coração com Jesus. O que importa é a vida da igreja, a salvação das pessoas por meio da missão e da evangelização. É verdade que isto é muito importante. “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”(João 3.16). É verdade que a obra de Cristo é fundamental para a vida do cristão. Entretanto, Deus não amou somente as pessoas. Ele também amou o mundo na sua totalidade. No mesmo evangelho de João é descrito que Deus amou o “Cosmo”, o universo. Deus criou o universo por amor e ele também é o mantenedor de todos os seres da criação. O mesmo Deus que nos salvou em Jesus Cristo é o Deus que preserva a criação e cuida de todos os seres que vivem na natureza. Ele nos chama a viver na criação cuidando dela e não para explorar e destruir.

A sustentabilidade da criação - II

Continuação de: A sustentabilidade da criação - I

Nos últimos anos, vimos um cenário desolador na Amazônia, que foi a pior estiagem dos últimos cinqüenta anos. O desenvolvimento predatório, bem como as políticas que excluem os povos que vivem nessas regiões, leva à destruição do maior patrimônio genético, que está em solo brasileiro. A destruição de florestas, as queimadas para transformar florestas em pastagem e a visão destruidora da maioria das madeireiras – que não tem compromisso com o desenvolvimento sustentado – fazem do Brasil um cenário de destruição. Isso se observa na região amazônica, na região do Pantanal e em seu entorno, bem como em muitos outros lugares do Brasil. Observamos a destruição da Mata Atlântica em nome do progresso.  Em virtude da prática desordenada de derrubadas de florestas e das queimadas, o Brasil é um dos maiores poluidores do mundo.

O primeiro artigo do credo apostólico “Creio em Deus Pai, todo poderoso, criador do céus e da terra” nos desafia a tomar pequenas atitudes do dia-a-dia, preocupando-se com a sustentabilidade do nosso futuro e dos nossos filhos. Deveria ser evitado o uso de produtos agrotóxicos para “limpar” o capim que cresce ao redor da casa onde moramos. Lamentavelmente é comum observar que se substitui o verde dos nossos jardins pelo pedregulho. A confissão de que Deus é o criador e o mantenedor da vida também deveria nos fazer reconsiderar o nosso senso de estética. Cortam-se árvores que dão sombra, porque fazem muita “sujeira”, por causa das suas folhas. Sujeira maior é passar veneno no capim dando um aspecto amarelado e desolador. Sem considerar o malefício às pessoas, aos animais e aos insetos. Um hábito muito comum é aplicar defensivos agrícolas próximo às margens de lagoas, rios, riachos, ribeirões e mananciais de água para, ironicamente, “limpar” essas áreas do capim verde, substituindo-o com a vegetação amarelada e depois seca. Não se percebe que com isso se está depositando metais pesados, matando microorganismos, sapos, peixes, plantas aquáticas e as plantas em volta dos mananciais. Tudo isso é fundamental para a proteção do meio ambiente e para a existência da própria água. É imperativo cuidar em separar o lixo orgânico com o reciclável, especialmente embalagens plásticas, caixas de leite, vidros, baterias e outros produtos industrializados recicláveis.

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