Deuteronômio 28.15-68

Deuteronômio 28.15-68

O que vimos em traços mais gerais no trecho anterior, é explicitado em detalhes neste. Todo este trecho é um grande alerta a respeito das “maldições que virão sobre ti, que te alcançarão” (Deuteronômio 28.15). É como um bumerangue, jogamos e ele acaba voltando. O mal que pensamos e praticamos, ganha vida própria e sai atrás de nós, até nos alcançar.

Uma leitura corrida desse trecho é de tirar o fôlego. Tudo ao nosso redor fica contra nós, estejamos onde estivermos (v.16-19). E não só ao nosso redor, também dentro de nós, seja ao modo de confusão mental e psicológica (v.20) ou de doença física (v.21-22). A natureza será nossa inimiga (v.23-24), além dos inimigos humanos, que se fortalecerão (v.25). Morreremos a morte de animais no campo (v.26). Doenças e perturbações, físicas e mentais, serão o nosso dia a dia (v.27-29, 34-35). Outros usufruirão o que consideramos nosso (v.30-33). E por aí vai.

A descrição termina num clímax quase insuportável. Nossa vida estará sempre suspensa por um fio (v.66). O medo constante nos fará desacreditar de tudo, até da própria vida (v.66). Nosso coração e nossos olhos conspirarão juntos contra nós (v.67). E todo o caminho até aqui será desfeito, voltaremos à condição de escravidão (Egito) da qual fomos libertados. Com um agravante: nem como escravos vão nos querer (v.68).

Podemos achar isso um exagero. Mas talvez não tenhamos prestado atenção suficiente àquilo que na humanidade sempre de novo tem levado a guerras, a extermínios, declarados ou velados. Às condições sub-humanas, tanto físicas como mentais, em que vive boa parte da população mundial. Ao sofrimento psíquico e mental que faz tanta gente agonizar em vida.

É a esse “lado feio” da realidade que o texto bíblico quer nos chamar a atenção. Para que cresçamos em compaixão e solidariedade, para que aprendamos a ouvir “os gemidos angustiados da criação” (Romanos 8.22). E para que aprendamos a decidir que não é isso que queremos.

Dia 178 – Ano 1